segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dilma diz que acusações são 'virtuais' e que não sabia que Cunha era 'corrupto' e Temer, 'fraco'

Via Ricardo Senra -
Enviado especial da BBC a Nova York


"Como é que você prova que eu sabia?", pergunta Dilma Rousseff, encarando a reportagem em um apartamento com vista para o rio Hudson, em Nova York (EUA), onde visita uma série de universidades para palestras e entrevistas.


No encontro com a BBC Brasil na última quarta-feira, 360 dias depois da Câmara dos Deputados aprovar o processo que levou a seu impeachment, Dilma se referia às acusações de Marcelo Odebrecht na operação Lava Jato, usadas no fim do mês passado como argumento para o pedido de cassação de sua chapa de 2014, junto ao agora presidente Michel Temer.
Se a chapa for cassada, em julgamento ainda sem previsão para ocorrer, tanto Dilma quanto Temer podem perder seus direitos políticos.
"Esses milhões (em caixa 2) só estão na virtualidade da fala do Dr. Marcelo Odebrecht, não estão em nenhuma realidade", diz. "É uma acusação muito característica das que fazem a mim. Que tipo de acusação?", ela mesma pergunta. E se responde: "Ah, ela sabia."
Na manhã do dia seguinte à divulgação da chamada "lista de Fachin", que ordenou investigações contra oito ministros, 63 congressistas e três governadores citados nas delações da Odebrecht, a ex-presidente se recusa a comentar os pedidos de abertura de novos inquéritos envolvendo seu nome (ao lado dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva).
"Eu me nego a comentar qualquer coisa, sobre qualquer pessoa que foi mencionada na lista, porque não acho correto. Não vou compactuar com o fórum de julgamento da imprensa antes de o julgamento ser realizado."
Durante a entrevista, que alterna momentos de irritação e sorrisos, a reportagem consegue completar apenas 14 de 29 tentativas de perguntas a Dilma.
Após quase uma hora, depois de afirmar que não sabia que Eduardo Cunha era corrupto e declarar, sobre o aborto, que "não é papel da Presidência discutir propostas do movimento de mulheres", Dilma faz nova interrupção e uma referência, bem-humorada, ao juiz Sergio Moro, que dera entrevista à BBC Brasil dois dias antes.
Na ocasião, passados cinco minutos, Moro disse que a reportagem teria "só mais uma pergunta, depois encerra".
"Agora eu não estou dando uma de nenhum juiz que você entrevistou", diz. "Eu quero que você encerre, porque eu estou aqui há uma hora já."
Ex-presidente diz que vai 'desconstituir' delações que a citam     

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