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Enfermeira vítima de suposto feminicídio trabalhava no combate à violência contra mulheres e crianças no DF


A enfermeira Pollyana Pereira de Moura, de 34 anos, morta na última quinta-feira (30), vítima de um suposto feminicídio, em Águas Claras, é lembrada por amigos como “empoderada, independente e firme”. Nos últimos três anos, ela se dedicou a projetos de combate à violência contra mulheres e crianças.

O crime – que ainda está em apuração, segundo a Polícia Civil do DF – ocorreu no apartamento em que Pollyana estava com o companheiro, Fabrício David Jorge, de 41 anos, principal suspeito da morte. O caso é investigado como feminicídio seguido de suicídio.

Em 2016, Pollyana passou a integrar a Liga Nacional da Enfermagem Forense, em Brasília. O grupo tem como objetivo reunir e treinar profissionais de saúde para identificar sinais de violência em pacientes.

A enfermagem forense é uma área especializada em dar assistência a vítimas de diversos tipos de abuso, com atenção a traumas físicos, psicológicos e sociais.

Pollyana fazia palestras sobre violência contra a mulher e liderou um projeto contra o abuso sofrido por crianças. A amiga e integrante da liga, Andressa Soares, conta que Pollyana “sempre se entregava ao trabalho”.

Andressa conta que Pollyana estava finalizando um projeto de conclusão do curso de pós-graduação onde abordava “a atuação do enfermeiro forense frente ao bullying nas escolas”.

De acordo com o Conselho Regional de Enfermagem do DF, a vítima do suposto feminicídio fazia parte da força-tarefa Brasil Conta Comigo, do Ministério da Saúde. Pelo programa, ela atuou no atendimento de pessoas com Covid-19 em Manaus (AM) no mês de junho.

Em nota conjunta, a Liga Nacional de Enfermagem Forense afirmou que “carregará para sempre saudades da Polly”.

“Ela tinha planos para o grupo, almejava ganhar o mundo, e isso nos incentivava muito. Todos nós do grupo lamentamos o ocorrido e juramos diante a ela que, sua luta aqui não será em vão” diz o comunicado.



O crime


Pollyana e Fabrício foram encontrados mortos na última quinta-feira (30), no apartamento de Fabrício, onde Pollyana costumava passar temporadas. O condomínio fica na Rua 25 Norte, em Águas Claras.

Um amigo de Fabrício contou que recebeu uma mensagem, pela manhã, onde o colega dizia que tinha assassinado a companheira. Em seguida, esse amigo foi até o imóvel, tentou abrir a porta e não conseguiu. Em seguida, chamou a polícia.


Os corpos foram encontrados por volta das 9h, quando a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros chegaram ao local. De acordo com a Polícia Civil, os dois estavam feridos com faca. A enfermeira estava “escorada atrás da porta” e o homem estava na cozinha, com um corte na nuca e no pescoço.

Conforme o boletim de ocorrência, “o apartamento estava com chão e as paredes sujos de sangue”. Havia três facas ensanguentadas jogadas no chão.

O casal estava junto desde o ano passado. Eles se conheceram após ambos passarem por divórcios. A enfermeira tinha uma filha, de 15 anos, do casamento anterior.

O crime está sendo investigado pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). A reportagem questionou a Polícia Civil se já é possível confirmar se houve feminicídio seguido de suicídio e a corporação afirmou que “as diligências investigativas estão em andamento e todos os procedimentos estão em fase de execução”.


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