O endividamento do Brasil deu um salto histórico no último ano. A Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 18%, atingindo a marca de R$ 8,635 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O avanço é o maior registrado desde 2015 e superou, inclusive, o crescimento visto em 2020, o primeiro ano da pandemia de Covid-19, quando a alta foi de 17,9%.
Em termos nominais, o estoque da dívida avançou mais de R$ 1,3 trilhão em apenas doze meses, saindo dos R$ 7,316 trilhões registrados em dezembro de 2024.
O “Vilão” dos Juros
Diferente de anos anteriores, o Tesouro Nacional aponta que o principal combustível para esse aumento não foi o gasto direto do governo com serviços ou obras (os chamados gastos primários), mas sim a apropriação de juros.
“Não é o quadro primário que está impulsionando a dívida”, afirmou o secretário do Tesouro, Rogério Ceron. O relatório oficial destaca que o crescimento refletiu, em grande medida, o patamar elevado da taxa Selic, que chegou a 15% ao ano.
Atualmente, o perfil da dívida brasileira mostra uma alta dependência das taxas básicas:
44% (aproximadamente): Atrelada à Selic.
26%: Indexada à inflação (IPCA).
Restante: Composta por títulos prefixados e câmbio.
Como quase metade da dívida é corrigida pela Selic, cada manutenção dos juros em patamares elevados pelo Banco Central encarece automaticamente o custo de financiamento do Estado.
Projeções para 2026: Rumo aos R$ 10 trilhões
Junto com o balanço do ano passado, o Tesouro divulgou o Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2026, que estabelece as metas para o endividamento neste ano. O governo trabalha com um cenário de crescimento contínuo, prevendo que a dívida possa saltar mais 19% até dezembro.
Os limites estabelecidos pelo Plano são:
Mínimo: R$ 9,7 trilhões.
Máximo: R$ 10,3 trilhões.
Se o teto da projeção for atingido, será a primeira vez na história que a dívida pública federal romperá a barreira de dois dígitos em trilhões de reais. O governo conta com os credores — bancos, empresas e pessoas físicas que compram títulos públicos — para continuar financiando o orçamento federal e cobrindo a diferença entre a arrecadação de impostos e as despesas totais.
Gazeta Brasil
