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EUA apreendem petroleiros russos e da “frota fantasma” em desafio ao bloqueio na Venezuela

 

Os Estados Unidos apreenderam petroleiros que tentaram desafiar o bloqueio naval imposto à Venezuela. O navio Bella 1, registrado sob bandeira russa, foi interceptado após duas semanas de perseguição no Atlântico, enquanto o M/T Sophia foi capturado no Caribe sem incidentes.


O Bella 1 tinha como destino a Rússia, e as autoridades norte-americanas informaram que não houve resistência nem hostilidade por parte da tripulação. O Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA divulgou uma nota na rede social X confirmando que os Departamentos de Justiça, Segurança Nacional e Defesa realizaram a apreensão do petroleiro no Atlântico Norte, por violações às sanções impostas pelos Estados Unidos.


A apreensão ocorreu depois que o navio conseguiu burlar o bloqueio marítimo norte-americano aplicado a petroleiros sancionados e se recusou a atender às tentativas de abordagem da Guarda Costeira dos EUA. A operação foi conduzida em conjunto pela Guarda Costeira e pelas Forças Armadas norte-americanas.


Fontes ouvidas pela imprensa dos Estados Unidos relataram que navios militares russos, incluindo um submarino, estavam nas proximidades no momento da ação. No entanto, segundo uma fonte que falou sob condição de anonimato ao The New York Times, não houve qualquer reação ou confronto. Posteriormente, dois funcionários americanos afirmaram que não havia embarcações russas próximas ao Bella 1 no momento da abordagem, o que evitou um possível choque entre forças dos dois países.


O petroleiro, agora rebatizado de Marinera e também registrado sob bandeira russa, é o mais recente alvo da Guarda Costeira dos EUA desde o início da campanha de pressão do presidente Donald Trump contra a Venezuela. A Rússia não comentou oficialmente a operação.


Além disso, a Guarda Costeira dos Estados Unidos também interceptou outro petroleiro ligado à Venezuela em águas da América Latina. O Comando Sul dos EUA informou, em publicação no X, que em uma operação realizada de madrugada e coordenada com os Departamentos de Defesa e Segurança Nacional, suas forças interceptaram sem incidentes o M/T Sophia, considerado parte da chamada “frota fantasma”.


O navio navegava sem bandeira e realizava atividades ilícitas em águas internacionais do mar do Caribe. Ele está sendo escoltado pela Guarda Costeira até território norte-americano, onde terá sua destinação final definida. Segundo o Comando Sul, a ação integra a Operação Southern Spear, cujo objetivo é “esmagar a atividade ilícita no hemisfério ocidental” e restaurar a segurança na região.


Nos últimos dois dias, ao menos 16 petroleiros afetados por sanções dos EUA teriam tentado escapar de um amplo bloqueio naval imposto às exportações energéticas da Venezuela, utilizando estratégias como ocultar sua localização real ou desligar sistemas de rastreamento.


Durante semanas, esses navios foram vistos em imagens de satélite atracados em portos venezuelanos, segundo análise do The New York Times. No entanto, no sábado, após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, todos desapareceram desses locais.


Quatro desses petroleiros foram rastreados por satélite enquanto navegavam para o leste, a cerca de 50 quilômetros da costa. Eles estariam utilizando nomes falsos e manipulando suas posições, prática conhecida como spoofing. De acordo com comunicações internas da estatal petrolífera venezuelana e relatos de fontes do setor, os navios deixaram os portos sem autorização do governo interino, em um possível gesto de desafio à liderança provisória de Delcy Rodríguez. Os outros 12 navios permanecem sem emitir sinais e não foram localizados em novas imagens.


Em 16 de dezembro, o presidente Donald Trump decretou um bloqueio total a petroleiros venezuelanos sancionados. O secretário de Estado, Marco Rubio, classificou a medida como uma das maiores “quarentenas” da história moderna, afirmando que ela estaria paralisando a capacidade do regime venezuelano de gerar receitas. O bloqueio, no entanto, isenta o petróleo enviado pela empresa americana Chevron para a costa do golfo do México.


Até agora, forças dos EUA confrontaram três petroleiros envolvidos no comércio de petróleo venezuelano. O Skipper foi detido e apreendido em 10 de dezembro, quando seguia para a China; o Centuries foi abordado em 20 de dezembro, mas não confiscado; e o Bella 1, agora Marinera, foi apreendido nesta semana.


Em resposta ao The New York Times, um funcionário do governo americano afirmou que “a quarentena está focada, de fato, nos navios fantasmas sancionados que transportam petróleo venezuelano”.


Especialistas apontam que as estratégias de evasão combinam engano e saturação. Pelo menos três petroleiros deixaram águas venezuelanas ao mesmo tempo e na mesma direção, indicando algum nível de coordenação.

“A única maneira real de petroleiros carregados romperem um bloqueio naval é saturá-lo com várias saídas simultâneas”, afirmou Samir Madani, cofundador do site TankerTrackers.com, que monitora o transporte marítimo e identificou diversos navios por imagens de satélite.


Gazeta Brasil 

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