Um relatório conclusivo da Polícia Civil do Maranhão sobre o assassinato de Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan, contradiz a narrativa apresentada recentemente por Gilbson Cutrim ao envolver autoridades estaduais no crime.
Em vídeo divulgado por ele, Gilbson fez uma série de acusações contra integrantes da família Brandão, a presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale, servidores do sistema penitenciário e outras pessoas.
Entre as afirmações, disse que o assassinato de Pacovan estaria “totalmente ligado” às pessoas que citou e atribuiu a elas, por meio de relatos que afirmou ter recebido, suposta participação na morte.
O problema para essa narrativa é que o relatório conclusivo produzido pela Polícia Civil no âmbito do inquérito que apurou o homicídio não aponta essas autoridades como responsáveis pelo crime.
O documento registra o indiciamento de Francisco Heydyne do Nascimento Sampaio e Fernanda Costa de Moraes pela prática, em tese, do crime de homicídio qualificado, com referência ao artigo 121, § 2º, incisos II e IV, do Código Penal, além do artigo 14, II.
O relatório também deixa claro que a investigação ainda tinha diligências pendentes. Segundo o documento, seriam necessários laudos periciais, exames de conteúdo de celulares e outras providências para a identificação de possíveis demais envolvidos nos crimes em apuração, com previsão de instauração de autos complementares.
Ou seja, o relatório não apresenta Carlos Brandão, Marcos Brandão, Orleans Brandão, Iracema Vale ou os demais nomes mencionados por Gilbson como indiciados pelo assassinato de Pacovan.
O QUE DIZ A INVESTIGAÇÃO
O inquérito foi instaurado para apurar o homicídio de Josival Cavalcanti da Silva, ocorrido em 14 de junho de 2024, no município de Zé Doca.
Segundo o relatório, Pacovan chegou ao posto de combustíveis Joyce por volta das 17h30. Depois de estacionar seu veículo, foi surpreendido por homens armados que efetuaram disparos.
A vítima foi atingida e posteriormente levada ao hospital, onde morreu.
A investigação reuniu depoimentos de testemunhas, diligências policiais, perícias, informações sobre veículos e outros elementos relacionados à dinâmica do crime.
Entre os elementos analisados estão depoimentos de pessoas que estavam no local, informações sobre veículos utilizados na ação, exames e documentos apreendidos durante a investigação.
Ao final, a Polícia Civil aponta Francisco Heydyne do Nascimento Sampaio e Fernanda Costa de Moraes como indiciados pelo homicídio.
AS ACUSAÇÕES FEITAS POR GILBSON
No vídeo citado, Gilbson afirma que Carlos Brandão seria o líder de uma suposta organização criminosa e inclui Marcos Brandão, Orleans Brandão e outras pessoas na acusação.
Ele também afirma que Iracema Vale teria participação em supostos pagamentos relacionados ao caso e sustenta que a morte de Pacovan estaria ligada ao grupo que menciona.
Em outro trecho, diz ter conhecimento de informações que, segundo ele, poderiam esclarecer o crime e afirma que apresentaria provas às autoridades.
As declarações, contudo, são de responsabilidade exclusiva de Gilbson e não podem ser tratadas como comprovação dos fatos narrados.
O relatório policial analisado por O Informante apresenta outro quadro: nele, os nomes formalmente apontados como indiciados pelo homicídio são Francisco Heydyne do Nascimento Sampaio e Fernanda Costa de Moraes.
