Se a eleição para governador do Maranhão fosse agora, o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) teria 50,9% dos votos de São Luís, e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), sairia das urnas com 35,8%. Transformados em votos válidos, Eduardo Braide alcançaria 53,5% e Orleans Brandão, 37,6%. O ex-prefeito venceria na Capital com uma vantagem de apenas 15,6% de pontos percentuais à frente de Orleans Brandão.
Nesse contexto, na votação estimulada, o vice-governador Felipe Camarão (PT) receberia 5,9%, o ex-senador Roberto Rocha (PRTB) seria votado por 1,6%, Saulo Arcangeli (PSTU) 0,4%, André Luís (Missão) por 0,3% e Reginaldo Lima (PCB) por 0,3%. E, curiosamente, o IPSensus não divulgou o percentual de “nenhum, brancos e nulos” nem o de indecisos.
O levantamento do IPSensus, que tem se notabilizado por mostrar Orleans Brandão na lideranças em todas as suas pesquisas, é revelador da guerra que está sendo travada pelos dois candidatos em São Luís, onde o Governo do Estado fez muitos investimentos para quebrar o impacto da bem sucedida gestão do ex-prefeito Eduardo Braide.
Com 750 mil eleitores, que representam, grosso modo, cerca de 15% do eleitorado estadual, a Capital tem peso decisivo numa disputa acirrada ao Governo do Estado. E no caso atual, tendo um ex-prefeito bem avaliado como candidato ao Governo, esse posicionamento do eleitorado será bem mais enfático e evidente. Tanto que, antes de renunciar ao cargo de prefeito, para p qual fora reeleito em turno único em 2024, Eduardo Braide tinha aprovação superior a 80%.
Ocorre que, ciente de que uma vantagem robusta em São Luís daria a Eduardo Braide uma vantagem excepcional na soma geral dos seus votos, o governador Carlos Brandão decidiu jogar todo o peso dos investimentos do Governo na Capital e desencadear, ele próprio, uma ação política de muita força, baseado principalmente na aliança que alimenta com pelo menos 25 dos 31 vereadores ludovicenses. E numa estratégia por meio da qual enquanto Orleans Brandão está percorrendo o interior, para consolidar o apoio de prefeitos, o governador Carlos Brandão inaugura obras e faz animadas incursões pelos bairros pedindo votos para o emedebista.
Por seu turno, Eduardo Braide, que conta com seis vereadores, faz ele próprio a sua campanha em São Luís, sendo obrigado a alternar sua intensa agenda com atos no interior e na Capital. O ex-prefeito conta com o portfólio da sua gestão arrojada e tem o apoio incondicional da prefeita Esmênia Miranda (PSD), que trabalha para manter o ritmo da gestão, com um elenco alentado de investimentos garantidos pelo caixa de R$ 2 bilhões deixados pelo antecessor.
Numa disputa em que a votação de Eduardo Braide e Orleans Brandão pode ter influência decisiva no resultado geral da corrida ao Palácio dos Leões, os percentuais trazidos pelo IPSensus não são estimulantes para o ex-prefeito de São Luís, ainda que não sejam também o melhor dos mundos para Orleans Brandão. O problema é que, mesmo levando em conta o fato de que a margem de erro seja de 5,9%, os números mostram Eduardo Braide perdendo terreno e Orleans Brandão avançando na reta final da campanha, passando a impressão de que a estratégia do governador Carlos Brandão está funcionando.
A eleição será realizada daqui a 11 dias, o que faz com que a campanha entre no seu período mais agudo, com os dois candidatos polarizados usando ao máximo o seu “poder de sedução” para puxar o que resta de indefinição no eleitorado da Capital. Outras pesquisas estão a caminho
Em Tempo: a pesquisa IPSensus foi realizada entre os dias 15 e 20 de setembro, ouviu 800 eleitores de São Luís, tem margem de erro de 5,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança é de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-08259/2026.
Fonte, repórter tempo Ribamar Correia
