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Médico é condenado a 21 anos de prisão por morte e retirada ilegal de órgãos do menino Paulo Pavesi

 


Álvaro Ianhez, um dos médicos acusados pela morte e retirada ilegal de órgãos do menino Paulo Veronesi Pavesi, em abril de 2000, em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais (MG), foi condenado por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e pela vítima ter menos de 14 anos.A pena é de 21 anos e oito meses de prisão em regime fechado. A defesa do médico disse que vai recorrer da decisão.A sentença foi proferida por volta das 15h30 desta terça-feira (19). A sessão, no Tribunal do Júri, em Belo Horizonte (BH), começou nesta segunda-feira (18). Ela foi suspensa por volta das 20h e retomada nesta manhã.O pedido da defesa para que o réu pudesse recorrer em liberdade foi negado devido à “gravidade do crime”, segundo o juiz que presidiu o tribunal.

“Esse resultado é uma gota de alento em um mar de tanta dor, de tanta impunidade”, disse o promotor Giovani Avelar Vieira.

“Nós respeitamos a decisão mas ela é contrária a prova dos autos”, falou o advogado do médico, Luiz Chimicatti.

O júri começou ontem com o depoimento da única testemunha de acusação, o pai do menino, Paulo Airton Pavesi. Depois, cinco testemunhas de defesa foram ouvidas.

Por fim, foi a vez do interrogatório do réu. A sessão foi suspensa por volta das 20h.

Todas as testemunhas e o réu foram ouvidos virtualmente. Álvaro Ianhez estava em SP, em endereço particular. Também haviam testemunhas de defesa em Poços de Caldas, Campinas (SP), Porto Alegre (RS) e Cruzília, no Sul de Minas. Já o pai de Pavesi estava em Milão, na Itália.

Nesta terça-feira, o julgamento foi retomado com alegações da acusação e da defesa.

A acusação abriu a fase de debates, falando por 1 hora e 30 minutos. Por volta das 10h40, a defesa iniciou as alegações. Ainda houve réplica e tréplica.

Em seguida, os jurados tomaram sua decisão. Quatro mulheres e três homens compunham o conselho de sentença.

Um mandado de prisão foi expedido contra o médico que está em São Paulo.

De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), Álvaro e outros acusados agiram com intenção de forjar e documentar a morte de Paulo Pavesi para a retirada ilegal de órgãos.

“Ele é o médico responsável pela retirada dos órgãos. Ele era o médico que era o diretor da Santa Casa onde se fazia o transplante de órgãos. Ele é o dono da clínica onde era feito o transplante ilegal de rim”, disse o advogado da família, Dino Miraglia.

“Ele estava presente desde a hora que em que ele (Pavesi) foi transferido de um hospital para outro sem a menor necessidade e quando anestesiaram o menino pra fazer retirada de órgão. Se o menino estava com morte cerebral, para que anestesiou? Anestesiou porque não tinha morte cerebral. Se não tinha morte cerebral, não podia ter transplante”, completou.

O julgamento de Álvaro deveria ter ocorrido em outubro do ano passado, mas foi adiado após o médico dispensar os oito advogados que trabalhavam em sua defesa.

O processo dele foi desmembrado dos outros médicos acusados devido a um agravo que deveria ser julgado.

Em janeiro de 2021, outros dois médicos, José Luiz Gomes da Silva e José Luiz Bonfitto, foram condenados a 25 anos de prisão. Já Marcos Alexandre Pacheco da Fonseca foi absolvido pelo júri.

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