O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (5) que é ele quem está no comando da Venezuela, dois dias após forças norte-americanas realizarem uma ofensiva militar no país e capturarem o ditador Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, sob acusações de narcoterrorismo.
Em entrevista à NBC News, Trump apresentou um grupo de autoridades responsáveis por administrar Caracas, formado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente, JD Vance. Questionado diretamente sobre quem governa a Venezuela neste momento, o presidente respondeu de forma objetiva: “Eu”.
A declaração intensificou as incertezas sobre o poder político no país sul-americano, especialmente porque, no mesmo dia, a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela. A cerimônia ocorreu na tarde de segunda-feira (5), na Assembleia Nacional, em Caracas.
Durante o discurso, Rodríguez afirmou assumir o cargo “com dor pelo sofrimento imposto ao povo venezuelano”, atribuindo a crise à ação militar dos Estados Unidos. Em tom emotivo, ela declarou:
“Venho com dor pelo sequestro de dois heróis que temos como reféns nos Estados Unidos da América: o presidente Nicolás Maduro e a combatente principal, primeira-dama deste país, Cilia Flores. Venho com dor, mas devo dizer que venho também com honra para jurar em nome de todos os venezuelanos e de todas as venezuelanas. Venho jurar por nosso pai libertador, Simón Bolívar”.
Apesar da posse, Trump fez ameaças diretas à nova líder do regime chavista, afirmando que Delcy Rodríguez pagaria um “preço ainda maior que Maduro” caso não cooperasse com Washington. Em resposta, a dirigente venezuelana divulgou uma carta aberta propondo uma agenda de cooperação com os Estados Unidos. No documento, defendeu uma relação equilibrada e respeitosa entre os dois países, baseada na igualdade soberana e na não interferência.
