A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar denúncias de que influenciadores digitais teriam sido abordados para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central (BC), responsável por decretar a liquidação da instituição financeira no fim do ano passado. A apuração busca esclarecer a existência de uma possível campanha coordenada para descredibilizar a atuação do BC após a intervenção no banco comandado por Daniel Vorcaro.
As suspeitas vieram à tona após influenciadores alinhados à direita, como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, relatarem publicamente que receberam propostas para divulgar a narrativa de que o Banco Central teria agido de forma precipitada ao determinar a liquidação do Master. Segundo os relatos, a ideia seria disseminar vídeos e postagens questionando a decisão da autoridade monetária e reforçando o argumento de que o banco seria vítima de uma suposta injustiça regulatória.
O caso ganhou dimensão nacional depois que denúncias semelhantes passaram a circular entre influenciadores e políticos, revelando a atuação de uma empresa intermediária responsável por articular os contatos. A informação foi divulgada inicialmente pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e impulsionou novos levantamentos sobre o alcance da mobilização digital.
De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, ao menos 46 perfis publicaram ataques simultâneos ao Banco Central nos últimos dias, muitos deles ligados a páginas de fofoca ou entretenimento, sem histórico de cobertura de temas econômicos. As postagens se concentraram a partir do fim de dezembro, período em que também foi identificado um aumento expressivo de menções ao BC e ao Banco Master nas redes sociais.
