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Pré-candidatura presidencial do PSD, complica aliança entre PT e Eduardo Braide

 

A confirmação da pré-candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, pelo PSD, nesta segunda-feira (30), adiciona um novo componente ao já complexo tabuleiro político de 2026 e pode produzir reflexos diretos no Maranhão. O movimento nacional da sigla tende a dificultar os planos do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, de construir uma eventual aliança com setores do PT para uma disputa ao Governo do Estado. O PSD convocou coletiva com Caiado e a direção nacional para oficializar sua pré-candidatura, após a desistência de Ratinho Júnior e o avanço do nome do governador goiano dentro da legenda. 


A leitura nos bastidores é simples: com Caiado assumindo o posto de presidenciável do PSD — e carregando um perfil de centro-direita com forte identidade conservadora —, torna-se politicamente mais difícil para Braide manter pontes abertas com o campo petista sem gerar contradições nacionais. Afinal, uma composição local entre Braide e o PT dependeria de um ambiente de ampla flexibilidade política, algo que tende a ficar mais restrito se o partido ao qual Braide se aproxima ou dialoga nacionalmente estiver alinhado a um projeto presidencial que se coloca como alternativa ao lulismo.


No Maranhão, esse cenário atinge em cheio o núcleo dos chamados dinistas, que já ensaiam movimentos para 2026 tentando preservar espaço tanto no Palácio dos Leões quanto na chapa majoritária. Entre esses nomes, o vice-governador Felipe Camarão aparece como peça central. Embora seja visto como um dos principais nomes do grupo para a sucessão estadual, cresce nos bastidores a avaliação de que Camarão também alimenta o projeto de disputar o Senado em uma eventual composição mais ampla — inclusive numa chapa encabeçada por Braide, caso a conjuntura imponha rearranjos pragmáticos.


É justamente aí que a pré-candidatura de Caiado produz ruído. Se Braide precisar se posicionar num campo mais distante do PT por conta da lógica nacional, o espaço para acomodar Felipe Camarão e outros dinistas em sua órbita diminui consideravelmente. Isso porque qualquer composição desse tipo dependeria, inevitavelmente, de uma costura com o petismo maranhense e com a herança política do ministro Flávio Dino, algo que se torna mais delicado diante de um PSD nacionalmente mais definido e menos maleável.


Na prática, o lançamento de Caiado reforça a tendência de polarização indireta também nos estados: de um lado, campos mais próximos do lulismo; de outro, grupos que buscam se posicionar como alternativa de centro-direita ou direita moderada. Braide, que até aqui vinha conseguindo preservar um discurso mais local e menos ideológico, pode ser empurrado a uma definição mais clara. E isso, por consequência, embaralha os planos de setores que imaginavam uma aliança heterodoxa entre braidistas e dinistas em nome de um projeto de poder no Maranhão.


Se antes a possibilidade de uma composição entre Braide, PT e dissidentes do grupo governista parecia improvável, mas ainda discutível, agora ela passa a enfrentar um obstáculo adicional: a nacionalização do jogo. E, em política, quando Brasília pesa, o Maranhão sente.



Por Diego Emir 

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