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Morre Josias Nunes, motorista falsamente acusado de matar JK, aos 82 anos

 

Morreu na terça-feira (16), em Indaiatuba (SP), Josias Nunes de Oliveira, o motorista que foi falsamente acusado pela ditadura militar de ter provocado o acidente que matou o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK). Ele tinha 82 anos. Apesar de ter sido absolvido criminalmente ainda nos anos 1970, Josias carregou pelo resto da vida o trauma de ter sido o bode expiatório de um dos episódios mais nebulosos da história recente do país.


A morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto de 1976, na Rodovia Presidente Dutra, é cercada de mistérios. O Opala em que o ex-presidente viajava perdeu o controle, atravessou o canteiro central e colidiu de frente com um caminhão. Oficialmente, o regime militar tratou o caso como um mero acidente de trânsito, mas investigações posteriores apontam que JK foi vítima de um atentado político orquestrado pela repressão.


A farsa contra Josias

Josias era o motorista do ônibus da Viação Cometa que trafegava pela Dutra no momento do desastre. Para sustentar a versão de “acidente comum” e afastar qualquer suspeita de assassinato político, o regime militar mirou no condutor do ônibus. Josias foi preso, torturado e pressionado a confessar que teria fechado o carro de JK de forma imprudente, provocando a batida.


Embora os laudos periciais e as testemunhas da época demonstrassem que o ônibus não havia tocado no Opala de JK, a ditadura usou Josias para criar uma cortina de fumaça. Ele foi levado a julgamento, mas acabou absolvido pela Justiça em 1979, após ficar provado que sua condução não teve relação com a tragédia. Mesmo inocentado, ele viveu décadas sob a sombra e o estigma da acusação infundada.


Comissão reconhece assassinato de JK

Em maio de 2026, uma comissão composta por especialistas e autoridades concluiu formalmente que Juscelino Kubitschek foi morto por uma “ação coordenada do Estado ditatorial”, e não em um acidente casual. A conclusão veio após anos de reapuração e análise de documentos.


A confirmação oficial da farsa histórica chegou no mesmo ano da partida de Josias Nunes. Sua história permanece como o retrato de um cidadão comum que teve a vida profundamente marcada pelas engrenagens de silenciamento do regime militar.


Gazeta Brasil 

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