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Roberto Rocha avalia como irresponsável a desistência de Lahesio Bonfim

 

Com a desistência de Lahesio Bonfim de disputar o Governo do Estado e anunciando sua pré-candidatura ao Senado da República, o partido dele, o Novo, entrou em completo parafuso e perdeu completamente o rumo. Esse desarranjo foi interrompido ontem pelo ex-senador Roberto Rocha, também pré-candidato a senador, que numa fala reveladora da crise, tentou colocar o Novo nos eixos. No seu pronunciamento, o ex-senador foi duro com Lahesio Bonfim, classificando de irresponsável a sua atitude migratória, a começar pelo fato de que ela foi isolada, individualista e sem uma conversa prévia com a direção partidária. Roberto Rocha informou que desde então encontra-se em “reunião permanente” com a direção estadual e com a cúpula nacional do Novo, e que “tudo pode acontecer” no partido em relação à corrida ao Governo do Estado e às duas vagas no Senado.


Lahesio Bonfim justificou sua desistência de disputar o Palácio dos Leões após “ouvir a voz das ruas”, que na sua interpretação, lhe pediu para desistir da pré-candidatura “em favor do povo”. Não explicou o fato de não haver conversado com a direção partidária, a quem não comunicou também a sua decisão de disputar uma cadeira no Senado. Nas entrevista que concedeu sobre o seu movimento, ele praticamente não se referiu ao partido, dando a impressão de que estava chancelado para tomar qualquer atitude sem der satisfação a quem quer que seja. Sempre falou em seu próprio nome, como se ele próprio fosse o partido. E ponto final.


O fato real é que Lahesio Bonfim, que começou a pré-campanha para governador embalado por um amplo lastro eleitoral, posicionado atrás apenas do então prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD). Mas foi perdendo consistência na medida do crescimento do pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, que o deixou para trás ao se tornar o adversário de Eduardo Braide numa disputa polarizada. Lahesio Bonfim não sustentou a posição, foi seu lastro derreter, e antes que perdesse tudo, deu a guinada da desistência e se apresentou como candidato ao Senado.


O Novo não programou duas candidaturas ao Senado. Apostou tudo na do ex-senador Roberto Rocha que, ao contrário de Lahesio Bonfim, vem se mantendo entre os melhor posicionados nessa corrida, como Roseana Sarney (MDB), Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT), André Fufuca (PP) e Duarte Jr. (Avante). Além de tentar chegar ao Governo, o papel de Lahesio Bonfim nesse projeto era também turbinar a pré-candidatura de Roberto Rocha e vice-versa. Mas ao migrar de pré-candidato ao Governo para pré-candidato ao Senado, ele se tornou, na prática, um concorrente de Roberto Rocha, criando uma situação insustentável dentro do partido.


Na sua fala, Roberto Rocha admitiu a crise, sinalizou o incômodo que ela está produzindo, não previu um desfecho para já, mas avisou que “tudo pode acontecer” no Novo em relação à corrida ao Palácio dos Leões e às vagas no Senado. E como não apontou qualquer exceção, deixou no ar a expectativa de que vai lançar um novo candidato a governador, que pode ser ele próprio, com Lahesio Bonfim para o Senado, embora a impressão deixada pelo seu discurso é a de que o partido pode descartar o ex-prefeito de São padro dos Crentes, sacando-o da disputa majoritária.


Nesse contexto de crise no Novo, o ex-senador Roberto Rocha vem se movimentando com habilidade, tem as cartas nas mãos e deve moldar o projeto eleitoral do partido de acordo com as suas conveniências, uma delas enquadrar devidamente o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes. Afinal, o Novo não quer perdê-lo.



Ribamar Corrêa 

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