Amanda Rodrigues, Marcos Vinícius e Marcela Camilly Alves, os três técnicos de enfermagem acusados de assassinatos em série no Hospital Anchieta, em Taguatinga, injetavam cloreto de potássio e até desinfetante em suas vítima. A polícia investiga a verdadeira motivação por trás dos chocantes crimes
Três técnicos de enfermagem acusados de provocar mortes em série no Hospital Anchieta, em Taguatinga, podem ser condenados a penas que somam até 90 anos de prisão, afirmam investigadores da Polícia Civil do Distrito Federal.
A investigação é conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), sob sigilo de justiça inicial.
As denúncias apontam motivo torpe, emprego de meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas, que estavam sedadas e intubadas.
Nas sombras da UTI, onde a vida pende por um fio, surge a dúvida: seriam os três técnicos psicopatas?
A polícia, em sua busca preliminar, concluiu, que tem mais coisa enfiada na história, após dissecar horas de imagens de câmeras que capturaram manipulações sinistras de medicamentos e prescrições às escondidas.
Usando logins de médicos ausentes, Marcos Vinícius Silva, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves, burlavam o sistema hospitalar, injetando nas veias das vítimas de idades e quadros clínicos variados, todas na UTI, intubadas e sem chance de defesa.
Laudos necroscópicos, frios como a morte, confirmam paradas cardíacas por doses cavalares de cloreto de potássio, fora de qualquer protocolo humano ou ético.
João Clemente Pereira, 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 e Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, foram as vítimas.O experiente delegado Maurício Iacozzilli, com olhos afiados de caçador de detalhes, revela que em um caso, desinfetante caseiro foi injetado dez a treze vezes, após falhas iniciais, até o coração ceder.
Os suspeitos, confrontados com os vídeos, confessaram o impensável.
Seria Marcos Vinícios ser um novo “Anjo da Morte”, inspirado em Charles Cullen, o americano que ceifou centenas em hospitais, ou Edson Guimarães, um enfermeiro carioca que semeava terror em 1999 nas alas do hospital Salgado Filho no Rio de Janeiro?
Assim como o assassino em série Edison Costa, que injetava cloreto de potássio para matar suas vítimas em troca de propinas pagas pela “Máfia das Funerárias” do Rio de Janeiro, os três “anjos da morte” do Hospital Anchieta utilizavam o mesmo modus operandi.
Isso leva a polícia a suspeitar que o trio não matava por prazer, mas possivelmente por outros motivos ainda em investigação.
Estresse nos plantões? Prazer sádico? São apenas conclusões iniciais. Amanda Rodrigues, com filha de nove anos, clama por prisão domiciliar, mas os investigadores vasculham celulares e notebooks por motivações ocultas.
Marcela Camilly, a mais jovem, vigiava portas enquanto o veneno fluía nas veias de suas vítimas.
Vítimas como a idosa professora, o servidor dedicado e o jovem carteiro unem-se em óbitos abruptos.
A Operação Anúbis, evocando deusas antigas do além, promete desvendar mais sombras, talvez outras almas perdidas que rondam os hospitais do DF.
*Toni Duarte é jornalista e editor/chefe o Radar-DF, com experiência em análises de tendências políticas e comportamento social da capital federal. Siga o #radarDF
